Doenças cardiovasculares - prevenção e compreensão: é questão de gênero?

Para se ter a idéia da importância do tema no ano de 2004, 135.000 mulheres brasileiras morreram por doenças circulatórias enquanto que 64.000 morreram por todas as formas de câncer associadas.3 Na figura abaixo pode-se observar a importância das doenças circulatórias para o sexo feminino no Brasil como um todo.


Tem-se dado atenção especial à cardiopatia no sexo feminino nos últimos tempos em virtude da alta incidência da doença nessa população refletindo principalmente a mudança de comportamento, de hábitos e de estilo de vida a que a mulher se expôs.

A visão da mulher e a prevenção da DCV tiveram repercussão notável após a divulgação dos dados dos ensaios clínicos HERS, ERA e WHI. Até então a terapia hormonal era propagada e aceita como opção de escolha na prevenção das DCV, sendo realizada em todo mundo e adotada tanto por profissionais de saúde, quanto pelas mulheres.

Apesar das mulheres envolvidas no estudo apresentarem diferentes perfis de risco, o mérito destes estudos e a polêmica decorrente abriram novos e amplos horizontes para esta nova área de discussão, especificamente voltados à mulher. Além disso, também atentou para a necessidade da interação e envolvimento de diferentes profissionais com o mesmo objetivo do reconhecimento e prevenção dos fatores de risco cardiovascular específico da mulher.

Com o avanço do conhecimento genético e da biologia molecular começou-se a lançar o olhar médico para além dos órgãos reprodutores e de suas funções e houve o reconhecimento que as doenças podem ter manifestações peculiares no sexo feminino em razão da interação entre os diferentes genes e os hormônios.

Atualmente sabe-se que as mulheres apresentam diferentes padrões de resposta tanto aos hormônios quanto aos fármacos, devendo, portanto, serem avaliadas de modo gênero-específico. Não mais se aceita tratar a mulher de modo semelhante ao homem.

Com esta visão, abrem-se novos campos de pesquisa extremamente intrigantes e pouco explorados, sendo nosso objetivo a divulgação desta área do conhecimento.

Bibliografia

1. Committee on Understanding the Biology of Sex and Gender Differences, Board of Health Sciences Policy. Editors. Thereza M. Wizemann and Mary-Lou Pardue Exploring the biological contributions to human health: does sex matter? Washington (D.C.): National Academy Press; 2001.288p.
2. Brasil. Ministério da Saúde. Saúde Brasil 2006: uma análise da desigualdade da saúde. Brasília (DF): Ministério da Saúde 2006.
3. Brasil. Sistema de Informação de Mortalidade. Secretaria de Vigilância em Saúde. Ministério da Saúde. Mortalidade proporcional por causas definidas segundo a região para o sexo feminino. Brasília (DF): SIM/SVS/MS;2004. Disponível em: w3. DATASUS.gov.br [12 set 2008].

 


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