NUTRIÇÃO NA PÓS-MENOPAUSA
O PAPEL DO GINECOLOGISTA
Ronald Bossemeyer
A expectativa de vida da mulher brasileira cresce a olhos vistos. É cada vez maior o número de mulheres em idades avançadas que, em sua maioria, vê sua saúde ameaçada pelo aparecimento de enfermidades crônicas, de caráter degenerativo, que deterioram sua saúde e comprometem sua qualidade de vida. É sumamente importante ter bem claros estes fatos para que medidas preventivas e/ou curativas sejam tomadas no devido tempo.
A assistência à mulher sadia visando o manejo de sua saúde, feita durante consultas periódicas que buscam a identificação de fatores de risco para os estados mórbidos mais prevalentes nesta faze da vida, como a doença cardiovascular e a osteoporose, podem reduzir sua morbidade e, mediante a intervenção precoce na história natural de cada uma destas enfermidades, postergar ou evitar a mortalidade por estes pontos finais.
Apesar de os “eventos da menopausa” não serem de natureza nutricional, é consensual que a alimentação adequada é uma importante intervenção em saúde. Ademais, a má nutrição pode prolongar o restabelecimento de pessoas idosas, aumentar a incidência de institucionalização e comprometer o seu bem-estar (1).
O ginecologista atualizado e atuante, além de haver se tornado “referência” para as mulheres no que concerne à sua saúde geral (e a de seus familiares...), apesar de aceitar este desafio com entusiasmo e competência, não costuma dominar a ciência da nutrição, especialmente frente à necessidade de dietas específicas em certas condições. Devido a limitações ocasionais, decorrentes de sua própria formação, o ginecologista pode depender de profissional especializado ou a ele referir suas pacientes.
Regra geral, uma dieta balanceada, rica em grãos e cereais integrais, frutas, vegetais e peixe, e que seja pobre em gorduras, pode considerar-se o conselho “padrão” (2). Esta dieta deve ser sempre combinada com atividade física individualizada, pedra angular para a obtenção e manutenção, não só do peso ideal quanto da distribuição da gordura corporal saudável. Uma melhora do humor, fator positivo na promoção da aderência ao novo estilo de vida, condiciona a aptidão física que, por sua vez, resultará em melhor saúde, não só do ponto de vista da estética quanto da auto-estima. A mensagem-chave, pois, é “coma certo e faça exercícios” (3). Como tal atitude envolve forte motivação e difícil modificação comportamental, este objetivo, aparentemente simples, pode tornar-se inatingível.
É sabido que o estilo de vida é de capital importância. A alimentação correta é parte essencial de um estilo de vida saudável tanto quanto uma dieta balanceada tem enorme impacto na própria saúde. Apesar de a nutrição adequada ter inúmeros efeitos sobre a saúde, o ginecologista deve focar-se no papel que tem a dieta na redução das morbidades mais freqüentes na pós-menopausa como a doença cardiovascular, a osteoporose e (como causa subjacente?) a obesidade. Os objetivos centrais de suas intervenções terapêuticas deverão ser reduzir o risco de enfermidades cardiovasculares, da síndrome metabólica e das fraturas. O manejo clínico implica em aprimorar o estilo de vida aumentando a atividade física, abandonando hábitos nocivos como o fumo e o álcool e adotando dietas menos calóricas e mais naturais. Fracionar a quota alimentar em cinco porções ou mais de vegetais e frutas ao dia, comer carnes vermelhas magras em menor quantidade e dar preferência a carnes brancas de aves ou de peixes de águas profundas e frias, cozinhar com azeite de canola ou oliva, evitar usar azeite hidrogenado e ácidos graxos trans, consumir um mínimo de colesterol e de gordura animal, limitar a ingestão de sal a menos do que 2,3 g/dia e consumir produtos lácteos desnatados duas vezes ao dia, em linhas gerais, é um bom começo (3).
Algumas recomendações devem ser feitas no que concerne às festas: festeje (mas não demais); não se permita fumar e não se exceda nas comidas; modere a ingestão de bebidas e alimentos açucarados e limite os “drinks” a um por dia (20g/álcool/dia) (3). Deve-se, igualmente, fazer sentir que reduzir a ingestão é mais fácil do que aumentar o gasto energético; que os exercícios devem incluir os aeróbicos e com carga, e que estes devem ser implementados progressivamente, acorde com a capacidade individual.
Sumarizando: o ginecologista de hoje, cônscio de sua condição de médico da mulher e guardião de sua saúde, tem ampliado o espectro dos seus conhecimentos. No desempenho desta função ele pode, ocasionalmente, necessitar socorrer-se junto a nutricionista ou endocrinologista. Nestes casos, o entrosamento entre estes profissionais deve ser o mais estreito pela interdependência de suas competências e as necessidades da paciente, levando-se em conta, sobretudo, a presença de estados mórbidos pré-existentes que poderão exigir, ainda, a participação de outro ou outros profissionais.
Referências bibliográficas:
- USFDA. www.eldercare.gov.
- NAMS. Therapeutic options during perimenopause and beyond, 2007.
- Dubnov-Rez G e cols. Climacteric 10(2):38-41, 2007.
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