|
|
Desabafo frente ao
Projeto TISS
Interferência nos consultórios médicos. Violação ao relacionamento entre médicos e pacientes ferindo frontalmente a liberdade profissional e o segredo médico. A causa é o novo modelo de guia de atendimento que a ANS implantou para todas as empresas de saúde. No Brasil inteiro, médicos (e em breve dentistas) estão sendo obrigados a preencher as guias com minúsculos e burocráticos espaços onde até a hora de atendimento é solicitada, além de pedirem para expor a paciente colocando a indicação clínica do exame, isto é: o motivo de estar sendo solicitado determinado exame. Imaginem se o motivo for gonorréia ou então HIV. “A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) é uma agência reguladora vinculada ao Ministério da Saúde que trabalha para promover o equilíbrio nas relações entre esses segmentos para construir, em parceria com a sociedade, um mercado sólido, equilibrado e socialmente justo.” Um mercado onde há interferência do Estado tende a deixar de ser justo e o equilíbrio referido no site da entidade, de onde foi coletado esse dado, é mais entre os usuários e os donos das empresas de saúde. “As regras que orientam o funcionamento do setor (que surgiu em meados dos anos 60 e se expandiu significativamente nos anos 80) estão definidas na Lei 9.656/98 e na MP 2.177-44 atualmente em vigor. De forma complementar à legislação setorial, outras normas foram fixadas pelo CONSU - Conselho de Saúde Suplementar - e pela ANS.” É certo que as empresas de saúde estavam abusando e havia necessidade de uma regulamentação, mas penetrar nos consultórios médicos e querer modificar códigos de condutas é um absurdo. Pior é que o custo da implantação está sendo empurrado goela abaixo dos médicos e clínicas já tão sofridas com tantos encargos. É que muitos convênios “espertos” enviaram correspondência dizendo que o modelo das novas guias está nos seus respectivos sites e quem quiser que imprima. Hora vejam; a obrigação da confecção gráfica das guias não é de quem presta o serviço e sim de quem comercializa o plano de saúde. Chega de exploração! Basta de abuso de poder! Parem de inventar documentos burocráticos e tentar transformar profissionais da área de saúde em verdadeiras marionetes. Saiam de trás de suas mesas paquidérmicas e vejam a situação de clínicas que se fecham e médicos que não conseguem manter seus consultórios abertos devido à imensa carga tributária e à falta de incentivo dos governos federal, estadual e municipal. Para quem não sabe, o sistema SIMPLES de pagar impostos não é permitido para médicos. Já é hora de fazer como os advogados, que sabem muito bem defender a liberdade da profissão e sua inviolabilidade através da Ordem dos Advogados do Brasil. Quiçá, em breve, surja a OMB, para que os médicos do Brasil inteiro se unam e mostrem que está ocorrendo uma inversão de valores e que, sem esses profissionais, não haveria nem empresas intermediárias da saúde, muito menos Agências Suplementares. Que tal se todos os médicos passassem a atender só à sua cooperativa, por exemplo? Que tal se as UNIMEDS de todas as cidades desse imenso país abrissem sua composição para todos os médicos, obedecendo a um dos pilares do cooperativismo, e terminasse essa novela de aproveitadores e intermediários do sistema de saúde? Seria muito bom se todos se descredenciassem dos planos de saúde que estão obrigando os médicos a gastarem ainda mais para dar um bom atendimento aos seus pacientes e seria muito interessante que o governo abrisse os olhos fechados pelo tamanho da reserva financeira de suas agências suplementares. |