Atividade Física e Qualidade de Vida 

Sônia Maria Rolim Rosa Lima
Sheldon Rodrigo Botogoski

Tsutomu Aoki

Departamento de Obstetrícia e Ginecologia
Faculdade de Ciências Médicas Santa Casa São Paulo

              O exercício físico ou atividade física é o estado de estar ativo, em ação energética ou em movimento. A associação de uma dieta balanceada com exercício físico é fundamental para melhorar a qualidade de vida e colaborar na melhora da atividade metabólica do organismo. A adequação cardiovascular para a prática de exercícios físicos pode ser conseguida em qualquer idade, pela prática de atividade aeróbica ou dinâmica como natação, corrida, caminhada, ciclismo, hidroginástica e outras, realizados de forma regular e contínua.

Exercício Físico e Ganho de Peso

            A taxa metabólica basal é responsável pela maior parte das calorias consumidas e é baseada nas funções do corpo, tais como a respiração, digestão, freqüência cardíaca e função cerebral e sofre influência direta da idade, do sexo, do peso e do tipo de exercício físico. Essa taxa aumenta com a quantidade de tecidos musculares e diminui com a idade.

            Pode-se conseguir um aumento desta taxa com a atividade física obtendo como benefício a queima de calorias. Esta pode permanecer alta de seis a 24 horas depois de 30 minutos de um tipo moderado de atividade. Uma pessoa pode perder aproximadamente 25% de sua massa corporal e 75% de sua gordura com a perda de peso somente por meio de redução de calorias. Em combinação com atividade física, a perda de gordura é de 98%, portanto, a perda de peso alcançada com uma combinação de redução de calorias e atividade física é mais efetiva.

            Exercícios de resistência e dinâmicos preservam a massa muscular e impedem o aumento da gordura corporal. Observa-se que cerca de três meses após a prática de atividade física regular inicia-se a redução de peso.

Exercício Físico e Risco Cardiovascular

            Um estilo de vida sedentário, com dietas hipercalóricas, associado à perda da capacidade metabólica e componente genético leva ao acúmulo de gorduras e conseqüente ganho de peso com aumento da pressão arterial e dislipidemias.

            Na gênese e evolução da placa aterosclerótica estão o sedentarismo e as dislipidemias com concentrações séricas anormais de colesterol total, triglicerídeos, lipoproteínas ligadas ao colesterol como lipoproteína de alta densidade (HDL) e lipoproteína de baixa densidade (LDL) e lipoproteína (a) plasmática. A baixa do HDL e elevação do LDL e lipoproteína (a), têm sido considerados como fator de risco independente para o desenvolvimento da aterosclerose.

            O efeito agudo ou crônico do exercício aeróbio, tanto de baixa como de alta intensidade e duração podem melhorar o perfil lipoprotéico, estimulando o melhor funcionamento dos processos enzimáticos envolvidos no metabolismo lipídico, favorecendo aumento do HDL-Colesterol e subfração HDL2-Colesterol e modificando a composição química do LDL, tornando-as menos aterogênicas.

            O exercício físico aeróbio de intensidade moderada, com duração mínima de 30 minutos, pelo menos três vezes na semana é ideal para induzir modificações lipoprotéicas basais, em diferentes faixas etárias, seja normolipidêmico ou não. O bom perfil lipoprotéico só é atingido com a associação de dieta e perda de massa corporal.

            A ação da atividade física como efeito cardioprotetor pode ser observada também no processo da inflamação e da homeostase. O exercício físico reduz os níveis de proteína C reativa. Atividade de moderada intensidade está relacionada à redução do fibrinogênio plasmático, da agregação plaquetária e elevação da atividade do plasminogênio tissular no homem, relação ainda não estudada nas mulheres.

            Realizar exercício aeróbio pode reduzir a complacência da artéria carótida relacionada à idade em mulheres em uso de terapia hormonal, com o aumento do óxido nítrico no endotélio vascular e conseqüente redução do fator constritor endotelial. O potencial terapêutico dos exercícios deve ser considerado como uma alternativa não farmacológica em mulheres após a menopausa com disfunção endotelial.

           

Exercício Físico e Risco Osteoporose

            Assim como os músculos, os ossos sofrem influência direta com a prática de exercícios regulares. Manter a massa óssea ou seu ganho está relacionado não só a contração muscular, mas a ação da gravidade e do estresse mecânico a que o osso está submetido. Exercícios de sobrecarga em locais específicos e com impacto promovem um estímulo mais efetivo, ou seja, não tem somente um efeito sistêmico, mas um efeito local sobre o osso.

            Há boa evidência que a atividade física de impacto previne a perda de massa óssea, mas perde efetividade quando é cessada. Não é só benéfica para prevenção da osteoporose, mas também aumenta a massa muscular, a coordenação motora, a flexibilidade e equilíbrio reduzindo a propensão a quedas.

            A atividade física deve ser realizada entre 60 e 90% da freqüência cardíaca máxima. O exercício físico entre 60 e 70% da freqüência cardíaca máxima pode ser continuado a um ritmo seguro por um longo período. De acordo com American College of Sports Medicine a atividade física realizada menos que duas vezes por semana com freqüência cardíaca máxima inferior a de 60% e por menos de 10 minutos por dia, não ajuda a manter a forma física. Se a atividade física for interrompida por duas ou três semanas, a forma física é perdida e dentro de três a oito meses os benefícios obtidos são perdidos completamente.

            Recomenda-se praticar 20 minutos de atividade aeróbica contínua três dias por semana para a perda de peso. Alguns exemplos de atividade física que são consideradas aeróbicas são: caminhar, correr, escalar, nadar, pedalar, remar, esquiar e pular corda.

            Para a prática de atividade física é importante: fazer exame médico prévio principalmente teste ergométrico ou ergoespirométrico; respeitar os limites de tolerância ao esforço; hidratar-se antes e durante o exercício; não fazer atividade em jejum nem após refeição completa e não interromper atividade subitamente esperar diminuir a freqüência cardíaca.

 

Conclusões

            Para se obter o máximo dos efeitos benéficos que o exercício físico pode oferecer aconselha-se:

Realizar atividade física pelo menos três vezes por semana, por 30 minutos ou mais.

Resultados mais efetivos são obtidos aumentando-se para quatro ou cinco dias por semana, por 30 minutos ou mais.

Os exercícios devem ser atraentes, diversificados, com intensidade moderada e de baixo impacto.

Distribuir a atividade física na semana, ao invés de praticá-la três ou quatro dias consecutivos para diminuir o risco de lesões relacionadas.

Hidratar-se antes e após os exercícios.

Não fazer atividade em jejum ou após refeição completa.

Orientação nutricional.

Usar roupas confortáveis e de tecidos leves.

Fazer periodicamente avaliação do estado de saúde, principalmente antes de iniciar uma atividade física.

            O Ministério da Saúde, seguindo os princípios da Estratégia Global da OMS, recomenda “que os indivíduos adotem níveis adequados de atividade física durante toda a vida. Diferentes tipos e quantidades são necessários para se obter diferentes resultados na saúde: a prática regular de 30 minutos de atividade física de moderada intensidade, na maior parte dos dias da semana, reduz o risco de doenças cardiovasculares e diabetes, câncer de cólon e de mama. O treinamento de resistência muscular e equilíbrio podem reduzir quedas e aumentar a capacidade funcional nos idosos. Maiores níveis de atividade física podem ser necessários para o controle de peso”.

Referências Bibliográficas disponíveis com autores

 


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